ca. 4min

Publicado em Outubro de 2019 na AvA Musical Editions 

 

Esta peça foi escrita para o trompista Frank Leonard Starobin em agradecimento por este ter concordado em colaborar com a minha investigação de doutoramento. Como o próprio nome indica, trata-se uma peça de carácter improvisado que inclui uma secção onde opcionalmente o trompista pode mesmo improvisar.

Existem algumas técnicas que são solicitadas ao trompista e, se bem que são técnicas de execução standard, existem algumas diferenças que convém referir. No cp. 22 o polegar é usado para produzir um tremolo usando diferentes dedilhações para a mesma nota. A mesma técnica é usada de forma rítmica nos cp. 23 e 29, mas aqui o propósito é outro: alternando ritmicamente as dedilhações, possibilita que se oiça uma leve articulação produzida pela mudança da passagem do ar nos tubos (que neste caso equivale a uma diferença de cerca de 1 metro de tubo).

Há também glissandi onde deverão ser usadas técnicas diferentes: os que estão indicados como scoop ou com linhas direitas (por exemplo no scoop do cp.9 e glissandi do cp. 12) deverão soar como um glissando suave de meio tom. Por outro lado, o glissando do cp. 41 deverá ser executado com alguma interferência (usando séries de harmónicos, alternância de rotores, ou ambos). No cp.44 existe ainda um terceiro tipo de glissando que deverá ser executado posicionando as chaves a meio do seu percurso. Algumas dedilhações indicadas são apenas sugestões, mas que poderão dar fluidez às passagens mais rápidas e facilitar os legati. Exemplo disso são as sugestões dos sítios onde será útil usar a combinação 1•2 devido à presença de uma nota adjacente tocada com o 2º dedo ou onde a alternativa do 3º dedo é indicada quando a nota vizinha é tocada com a dedilhação 2•3. Contudo há outras passagens onde a dedilhação indicada pode transformar uma passagem impossível de executar ou de difícil execução, numa passagem que resulta perfeitamente de forma idiomática numa trompa.

 

Ricardo Matosinhos