Dur: Ca. 7'30''

Publicado em Maio de 2022 pela Arpejo Editora 

O repertório para trompa, especialmente no caso daquele escrito para os mais novos, difere do repertório escrito para alunos avançados e profissionais. Mais do que nunca é importante que este resulte de forma idiomática tirando partido das caraterísticas do instrumento, de forma a conseguir o máximo efeito com o mínimo esforço. Esta é uma área que sempre me interessou e que aliás foi objeto de estudo da minha investigação de doutoramento. Originalmente estas peças 5 peças foram escritas para eufónio e piano e integradas no projeto 5 graus 5 peças no qual a Arpejo editora desafiou os compositores a escrever peças com dificuldade crescente e que de alguma forma estivessem relacionadas com o cancioneiro popular português. Do ponto de vista composicional foi algo muito aliciante dado que uma boa parte do cancioneiro se encontra documentada, ao mesmo tempo foi um desafio visto que grande parte deste cancioneiro assenta em elementos rítmicos e melódicos repetitivos que ganham outra roupagem com a letra. Muito possivelmente, as canções escolhidas não são conhecidas pelos mais novos, que ultimamente têm tido tendência a adotar o cancioneiro de outros países. Pretende-se desta forma dar um pequeno contributo para inverter essa tendência. 
Como o eufónio partilha muitas das suas características com a tuba wagneriana e com a trompa, este conjunto de peças pode também resultar idiomaticamente para estes instrumentos. Do ponto de vista técnico abordam uma tessitura que para a maioria dos trompistas coincide com mudanças na embocadura. Se for interpretada numa trompa dupla, trata-se de uma boa obra para trabalhar o movimento do polegar. No que diz respeito à leitura, está escrita em clave de fá e clave de sol com incidência em linhas suplementares, constituindo assim uma boa opção para treinar a leitura em diferentes claves. Por estar focada no registo médio, médio-grave e registo grave, é também uma boa escolha de repertório para treinar mudanças de embocadura ou para instrumentistas que estejam a efetuar alguma correção ortodôntica.

Mirandum se fui a la guerra (50'') é uma conhecida canção de Trás-os-Montes e Alto Douro que faz referência à Guerra do Mirandum 1762, que surge aqui numa versão lírica. Tessitura: Mi2-Ré3 (PLAYALONG)

“Disse o galo prá galinha” (1'14'') é uma lengalenga do Ribatejo, sendo que nesta versão foi adicionada uma pequena cadenza com o propósito de imitar uma galinha, recorrendo à técnica de meia válvula. A cadência pode ser adaptada, expandida, mantendo o caráter cómico. Tessitura: Mi2-Mi3 (PLAYALONG)

Não se me dá que vindimem” (1'12'') é uma canção de vindimas das Beiras (Monsanto). Surge aqui numa versão simples tocada em duas oitavas diferentes. Tessitura: Si1-Dó4  (PLAYALONG)

A visita prossegue na Beira Baixa (Fundão) com “O Milho da Nossa Terra” (2'15'') que é apresentado nesta versão com alguns jogos rítmicos e com o modo lídio dominante, estabelecendo uma relação com a sonoridade das séries de harmónicos dos instrumentos de metal. Tessitura: (Fá1 na cadenza) Dó3-Si3  (PLAYALONG)

Finalmente, a “Carvalhesa” (2') é uma melodia transmontana, tocada habitualmente por uma flauta e percussão. Assim a parte de percussão é executada, percutindo o bocal com dedilhações específicas. Não é necessário percutir com muita força, caso contrário poderá magoar se e até ficar com o bocal preso no instrumento, apenas é necessário que a mão sele completamente o bocal. Tessitura: (Si1 perc.) Fá2-Fá4 (PLAYALONG)

 

Ricardo Matosinhos